22.11.09

Serviço público - restaurantes

É possível ter-se o melhor bife de Lisboa, o melhor serviço de Lisboa e uma das melhores atmosferas de Lisboa debaixo do mesmo telhado? É. Chama-se Café Buenos Aires e é nas Escadinhas do Duque.

PS - "Atmosphère, atmosphère. Est-ce que j'ai une gueule d'atmosphère, moi?"

21.11.09

Então é assim. Dois pontos. Pausa (dois tempos). De todas as "rifas" que saíram tu foste a única que eu queria verdadeiramente ter ganho. Perdi, por incapacidade, inabilidade ou - mais provavelmente - porque a lua e mais meia dúzia de planetas estavam no sítio errado à hora errada.

Infelizmente esses planetas todos não estarão, nunca mais, no sítio certo à hora certa. Resta-me o silêncio com que me olhas, tão justo. Tão bonito. Tão legítimo.

20.11.09

Conversa de café - a velocidade das decisões

"Quando António Mexia, CEO da EDP, inaugurou esta semana o parque eólico de Meadow Lake, no Estado de Indiana (EUA), lembrou um pormenor curioso: entre a apresentação do projecto às autoridades, a sua aprovação e a atribuição do "cash grant" (incentivo fiscal criado pela administração Obama, que devolve 30% do montante investido) demoraram... quatro semanas.
Leu bem, caro leitor: quatro semanas. Não foram quatro anos, nem sequer quatro meses. "Four fucking weeks!
""

Este artigo de Camilo Lourenço é siderante, claro. Mas já por aqui contei duas pequenas histórias passadas com amigos meus de Genève que também me deixaram sonhador: a de uma arquitecta que achava escandaloso que a Câmara Municipal de Genève levasse seis meses - "seis meses!"; ela quase gritava - para aprovar um projecto; e a de um amigo que vende material ao Estado e me dizia, desolado, que o estado genebrino está a trabalhar cada vez pior: "imagina tu que às vezes demoram duas semanas a dar-me uma resposta". E acrescentava: "Mas eu agora já sei: ao fim de uma semana, telefono-lhes".

Nem tudo está perdido...

...seja Deus louvado!

19.11.09

Pois

O Estado das coisas

"Give me" Moore

Fico sempre um bocadinho na dúvida quando leio posts como este; é como dizer a Demi Moore que ela é boa: estão ambos podres de o saber, mas nada vão fazer para mudar.

Francofonia, francofilia - III

Thierry le Luron, Mitterrand:



E Georges Marchais:

Francofonia, francofilia - II

Raymond Devos, Le doute:



Le banquier:



Millefeuilles:

Francofonia, francofilia

Laurent Gerra imita Léon Zitrone (atenção, riso às lágrimas, à asfixia):



E Johnny Halliday:

Já que falamos de raínhas

Jeanne, Reine

E já que estamos com Jeanne Moreau, uma repetição, mais uma.

Jeanne Moreau, J'ai la mémoire qui flanche:




Le Tourbillon:



Où vas-tu Mathilda?

Semelhanças, simetrias, zeitgeist

Que se aproxime Francisco Louçã do palerma da pêra (o do PNR) não é estranho à maioria das pessoas, penso. Não deixo é de estranhar que me lembre do nome de um e não do do outro. Poderíamos atribuir tão estranho fenómeno ao zeitgeist; mas não penso que seja o único culpado: afinal, as pessoas de sempre preferiram a mentira escondida à explícita. E se aquilo que um diz, a ser feito, teria efeitos dramáticos, o que o outro faria, mas não diz, teria efeitos ainda piores - e, pior ainda, já conhecidos.

Tudo isto a despropósito: apetecia-me apenas dizer que imigrar é um direito, como emigrar; e que mesmo quando uma é obrigação, a outra, simétrica, continua a ser um direito.



PS - Aqui está um esplêndido exemplo. Como se o estado russo se preocupasse muito com a lei.

Serge

Acreditem se quiserem, mas parece que France Gall não percebia o que estava a cantar.

[Não sei porquê, Serge Gainsbourg não me sai da mente, estes dias].

Serge Gainsbourg e Catherine Deneuve, Ces petits riens:



Harley Davidson

Abandonos, ignomínias

"Guiné-Bissau: Governo português abandonou-nos - antigo combatente das Forças Armadas portuguesas"

O governo português [enfim, os governos] há muito abandonou tudo o que não é ele próprio. Compreende-se mal - por muito que se lamente - porque não teria abandonado pessoas que lutaram pelo que era então o seu país.

Escolhas

Se amanhã morresse e me dessem a escolher, não sei quais escolheria: se as tristezas que vivi, se as mulheres. Provavelmente aquelas, que no céu não as há; e estas já o são.

Outras estranhezas

Aqui.

(Enfim, deviam ser estranhezas. Infelizmente já não o são sequer: os portugueses são pessoas razoáveis, que se adaptam às coisas como elas são). Se fossem um bocadinho menos razoáveis, o país seria um paraíso para todos, e não só para alguns.

[O que nos abre interessantes pistas sobre a irrazoabilidade nos países que nós consideramos "civilizados". E sobre o que é ser razoável, e os seus resultados.]

18.11.09

Estranho

Quem se quer matar tem à escolha inúmeras formas de morrer; já para quem quer viver a escolha é reduzida: lutar, conformar-se ou enlouqecer.

Estranho é que não haja mais suicídios.

Retratos possiveis

Chama-se Paula, tem 40 e poucos anos e o que mais me marca nela é nunca por nunca ser se definir sozinha. Paula não existe sem os outros - outros num sentido muito restrito: família e os poucos amigos próximos.

Paula é incapaz de dizer "estou a jantar": diz "estou a jantar com o meu pai". "Vou ao Porto": "vou ao Porto com o João (o namorado, um estudante de engenharia bastante simpático e quase vinte anos mais novo do que ela)". "Estou em casa": "estou em casa; amanhã chega a Rita (uma amiga que trabalha numa organizaçao internacional)". E assim por diante. Ao princípio parecia-me que ela não existia sem os outros, o que me surpreendia porque conhecia o seu gosto por longos passeios solitários, a pé ou a cavalo (é uma cavaleira fina, intutiva, subtil, que num piscar de olhos põe o mais reticente dos cavalos na mão).

Depois habituei-me: boa companhia, simpática, cordial (e bonita, o que não estraga nada).

- Olá, estás bom? Amanhã chega o meu pai.
- Óptimo, obrigado. Fico muito contente.
- Pois. O João vai agora para o Alentejo. Queres vir almoçar comigo?

Eu já sabia que esse almoço ia ser incluído na próxima conversa telefónica, mas não me importava.

- Vamos.

Levei muito tempo a percebê-la: porque raio uma mulher bonita, profissional reconhecida (tinha uma empresa de orgaização de eventos que facturava mais do que ela queria, e muito mais do que precisava), independente, precisava de estar sempre a referir-se a outrém?

Um dia estava no picadeiro a vê-la montar e a explicação entrou-me pelos olhos. Paula estava espantada com a sua vida, e precisava de ter alguém ao lado (mesmo que só pela menção que lhe fazia) para ter a certeza de que tudo aquilo era real. De certa forma tinha razão: nascida numa família rica, conservadora, de banqueiros e latifundiários, fugira de casa aos dezanove anos para casar com um músico sem cheta. Quinze ou dezasseis anos depois divorciara-se, porque estava farta (embora não o reconhecesse: dizia que ele a enganava, o que só muito parcialmente era verdade); ajudara o marido a tornar-se um nome incontornável na música do nosso país, e pouco mais havia que fazer. Nunca reatara os laços com a família, mas aproveitou-se dos contactos que tinha no meio para criar e desenvolver a tal empresa; um dia conheceu um jovem estudante que lá fora para um trabalho de três ou quatro dias e "alugou-o", como ela dizia. Quando descobriu que o rapaz não se deixava "alugar" apaixonou-se por ele.

Conhecia meio mundo - geográfica e metaforicamente. E estava perpetuamente espantada: conseguira fugir a um destino de "freira, ou equivalente". Mas precisava de alguém: gostava de estar sozinha fisicamente, mas mentalmente era-lhe impossível. No fundo, ao contrário do que ela pensava, não fora ela que vivera a sua vida: vivera-a permanentemente contra ou com alguém. Daí as referências constantes a com quem estava, quem ia ou vinha.

E já que estamos nas variedades francesas...

Camille, Paris:



Gospel with no Lord

Ta Douleur

Toute la journée, tous les jours

Michel Polnareff, La poupée qui fait non:



On ira tous au Paradis:

"Confiança, prestígio e credibilidade"

Este ministro é colega de um outro que acusou a justiça de "espionagem política", não é?

"Justiça: Ministro Alberto Martins quer reforço da "confiança, prestígio e credibilidade" do sistema judicial "

Tout est bien...

...qui finit bien.

Coisas realmente importantes

17.11.09

Kevin Ayers

Hoje descobri que há uma pessoa na blogosfera que conhece, e gosta (ou gostou) de Kevin Ayers. La surprise est de taille, como diria um gaulês qualquer - não me apetece muito explicar porquê.

Aqui fica mais uma:



Kevin Ayers, John Cale e Andy Summers, Howling Man

"L'Innommable"

"...je vais me réveiller, dans le silence, ne plus m'endormir, ce sera moi, ou rêver encore, rêver un silence, un silence de rêve, plein de murmures, je ne sais pas, ce sont des mots, ne jamais me réveiller, ce sont des mots, il n'y a que ça, il faut continuer, c'est tout ce que je sais, ils vont s'arrêter, je connais ça, je les sens qui me lâchent, ce sera le silence, un petit moment, un bon moment, ou ce sera le mien, celui qui dure, qui n'a pas duré, qui dure toujours, ce sera moi, il faut continuer, je ne peut pas continuer, il faut continuer, je vais donc continuer, il faut dire des mots, tant qu'il y en a, il faut les dire, jusqu'à ce qu'ils me trouvent, jusqu'à ce qu'ils me disent, étrange peine, étrange faute, il faut continuer, c'est peut-être déjà fait, ils m'ont peut-être déjà dit, ils m'ont peut-être déjà porté jusqu'au seuil de mon histoire, devant la porte qui s'ouvre sur mon histoire, ça m'étonnerait, si elle s'ouvre, ça va être moi, ça va être le silence, là où je suis, je ne sais pas, je ne le saurai jamais, dans le silence on ne sait pas, il faut continuer, je ne peux pas continuer, je vais continuer."

Samuel Beckett, in L'Innommable, Les Éditions de Minuit, Paris, 2004 (final do livro)

Liberdade de expressão

Anda por aí uma petição contra uma igreja desenhada por Troufa Real, cuja construção começou, aparentemente, ontem. Eu acho a coisa horrorosa, mas não assino petição nenhuma: aquela igreja está para a arquitectura como as palermices de Louçã, ou do idiota de direita (o da pera) estão para a verdade. Tal como defendo que Louçã, ou o outro cujo nome não recordo, devem poder dizer o que querem, penso que a igreja deve ser construída. Não quero uma cidade feita por "guardiães da arquitectura pública", como não quero uma política limitada aos gajos que me parecem suportáveis.

"Morrer é só não ser visto"

Apresentação de um livro com esse título aqui na Ler Devagar. Um introito interminável de José Manuel dos Santos, que conseguiu citar todos os autores da Plêiade e mais alguns; e um discurso tocante da autora. Coincidência: há algum tempo que ando a lembrar-me da piada americana "Life is a bitch; - and then you die"; mas modifiquei-a um bocadinho: "Life is a bitch, and you never die".

PS - o livro parece-me muito bom. É uma colectânea de testemunhos de várias pessoas sobre mortes de próximos. Há de tudo: suicídio, acidente, morte natural, jovem, idosos, doenças. É da Planeta, para quem estiver interessado, e a autora chama-se Inês Barros Baptista.

Esperança

A esperança tem duas, e difíceis, missões: a) fazer-nos crer que vem aí uma vida melhor; e b) que será possível conviver com a de hoje, quando a outra chegar.

Devia haver um lugar na frase para colocar "inútil" (ou "inúteis"), que tanta falta faz, ou fazem.

Quarteirão

Hoje, graças à Miss Pearls, descobri uma série de posts muito bons no 5 Dias e um blog que vai direitinho para o Reader.

Felicidade

Não acredito muito nessa coisa da felicidade: por trás de cada uma delas (há várias, imagino) deve haver um pecado original, uma ranhura, uma fenda. Ou a felicidade o esquece - e nesse caso é uma omissão mais ou menos grave; ou convive com ele - e torna-se um compromisso, um consenso.

Ora todas as descrições de felicidade que tenho visto a descrevem como plenitude.

Amor, amizade

Um amor acaba: encontra-se outro. Com a amizade isso não acontece. Não se muda de amigos como de amores. Não sei porquê.

Conversa de café - Portugal e a Europa

O Jornal de Negócios de hoje traz um artigo muito interessante de um senhor chamado João Bernardo Soares, Partner da Bain & Company. O título é "Ask not what your country can do for you..." e está dividido em duas partes. Na primeira o autor faz uma descrição do declínio de Portugal relativamente aos outros países europeus:

- Somos o segundo país mais pobre da zona Euro em termos de PIB per capita e em 2010 seremos o mais pobre, pois previsivelmente a Eslovénia, que fez o favor de nos tirar dessa situação em 2009 (quando aderiu ao Euro), vai ultrapassar-nos;

- A Grécia, com quem durante muito tempo nos comparámos e disputávamos os últimos lugares das tabelas, tem neste momento um PIB per capita 44% superior ao português;

- O PIB per capita português passou de 71.6% da média da zona euro para 66,6% (e de 80,8% para 72,3% se em vez de nos referirmos à zona euro nos referirmos à média europeia);

- Em finais de 2008, o valor das empresas portuguesas com mais de 500 milhões de euros de facturação representava 8% do valor total das empresas ibéricas;

Esta primeira parte conclui dizendo que as perspectivas não são animadoras, e que o nosso défice externo vai estabilizar provavelmente acima dos 10%.

A segunda parte do artigo propõe 4 acções "aos nossos gestores, reconhecidos como muito capazes mas que não têm conseguido mudar o rumo macro da Nação" (daí a menção ao célebre discurso de Kennedy).

Qualquer pessoa que tenha vivido mais de seis meses num qualquer país europeu desenvolvido sabe que os portugueses não são diferentes dos outros; aos mesmo estímulos reagimos de formas semelhantes: se nos derem um espaço para andar a pé andamos, se nos multarem por não pararmos nas passadeiras paramos, etc. Não somos nem mais preguiçosos, nem mais incompetentes, nem menos inteligentes do que qualquer outro povo. A explicação para o "estado a que isto chegou" deve procurar-se noutro lado.

Para começar: haverá "estado a que isto chegou"? A resposta é não, claro: sempre (ou pelo menos há muito tempo) fomos os últimos da Europa, e vamos continuar a sê-lo - a diferença é que a "Europa" agora tem mais países, e os nossos referenciais vão ser outros; não me parece uma mudança significativa. Sempre tivemos empresas "pequenas" - salvo poucas honrosas excepções, preferimos ser os maiores do quintal a ser qualquer coisa fora dele. E sempre tivemos gestores, políticos e decisores de reconhecida qualidade. A situação que o autor do artigo descreve não é, portanto, muito diferente da que sempre foi. Pelo menos em termos relativos. Em termos absolutos é evidente, inegável, que estamos hoje melhor do que há 30 anos.

As questões são saber a) porquê, e b) se há remédio.

Começo pela b): não. Já pensei que sim, depois que não, depois que sim outra vez, mas agora penso, estou convicto, tenho a certeza de que não há remédio, e continuaremos a ser os últimos do euro, da Europa, e em breve da OCDE, ou de seja qual for o clube onde nos queiramos integrar. A resposta é "não" não por defeitos próprios, individuais, mas por causa por um lado da forma como nos organizamos colectivamente, e por outro da nossa resposta a essa organização.

Os nossos "gestores reconhecidos como muito capazes" vivem optimamente, em Portugal. Os nossos decisores políticos também (e não mencionem os salários baixos: os benefícios não-financeiros também contam; para além dos que vão auferir quando "deixarem a política" - entre aspas porque não a deixarão, nunca: apenas mudarão de empregador). E quem não está contente e é ambicioso emigra.

Ou seja: a população de Portugal é constituída na sua maioria por pessoas que ou beneficiam (ou pelo menos não sofrem) com a situação ou não lhe exigem mudanças drásticas. Às primeiras, apenas se pede que nos mantenham no clube; não interessa em que lugar. As segundas não estão dispostas a fazer os sacrifícios que sair do último lugar requer - e quando estão, não o fazem em Portugal porque concluíram, acertadamente, que não vale a pena.

Não tem nada a ver com as nossas "qualidades" ou "defeitos", nem com as nossas capacidades ou competências. Os gestores das grandes empresas portuguesas estão roucos de saber o que fazer - e fazem-no, quando vão trabalhar para empresas internacionais. Não têm é razões para o fazer em Portugal. Os gestores, seja em Portugal, na Alemanha ou na Lua são pagos para gerir empresas e gerar lucros para os seus accionistas, e não para "mudar o rumo macro do país". Quem é pago para fazer isso são os políticos. Ora acontece que quem lhes paga ou está contente ou se vai embora.

Os estímulos para mudar são poucos, em ambos os casos - sobretudo quando têm níveis de vida semelhantes aos de qualquer colega "europeu" - ou melhor, até (uma comparação de salários e benefícios extra-salariais das nossas classes políticas, começando nos vereadores das câmaras municipais e respectivos assessores seria elucidativa).

As "quatro acções" de João Bernardo Soares são interessantíssimas - mas têm tantas probabilidades de ser postas em prática (pelo menos de uma forma significativa) como de ser um protestante eleito Papa. Porque elas destinam-se a gerar capital que depois iria para o PIB e daí para as capita. Infelizmente não é esse o capital mais importante em Portugal.

Mais: em muitos casos, alterar o status quo implicaria, para muitas das pessoas dos grupos dirigentes (políticos, gestores, quadros superiores), uma perda de privilégios, poder, dinheiro - em termos absolutos ou em relação ao resto da população. E vê-se mal um grupo social, seja ele de que nacionalidade for tomar decisões que impliquem uma, ou várias, dessas consequências.

Pequenos contos mortais

A. suicidou-se com uma overdose de heroína que tinha comprado, a custo e ao longo de muito tempo, a um vendedor que lhe garantiram ser "de confiança". É importante, a confiança, nestas coisas.

Deixou uma nota de suicídio que dizia "A morte deve ser vista de uma forma racional. É preferível uma boa morte a uma má vida".

16.11.09

Enjoo

Hoje foi o Dia Nacional do Mar. Não consigo perceber porque enjoo tanto, nestas sessões oficiais, cada vez que oiço a palavra "mar"- coisa que não me acontece, vá lá saber-se porquê, quando estou no mar.

Cansaço

As queixas são tão cansativas para quem as ouve como para quem as emite.

A boca e o bolso

Ah, se os gestores e decisores em Portugal abrissem a boca menos e mais o bolso; ou se os abrissem em consonância...

A ausência de vento

"Outro dia em que o mar seja menos tão sem vento" é um verso particularmente feliz de João Miguel Fernandes Jorge. Às vezes gostaria de me lembrar um bocadinho menos dele. Tal como de "a terrível ausência de mar", de Manuel Gusmão.

Cópias

Esperemos que haja tempo - enfim, tempo há; alguém - para fazer uma cópia.

Face Oculta: DIAP de Aveiro não destruiu escutas

15.11.09

Apagador, acelerador

Estou contigo como se não tivesse havido ninguém antes de ti, como se não houvesse ninguém depois. O amor é um apagador.

Estou contigo e o tempo passa depressa, como se estivesse à procura de qualquer coisa; à procura da vida. Como se a tivesse encontrado. O amor é um acelerador.

13.11.09

Fragmentos velhos

"Les femmes entraient et sortaient de ma vie au rythme des portes giratoires d'un grand magasin du centre ville".

Mentiras

O Sol faz hoje manchete com o facto de Sócrates ter mentido ao Parlamento a respeito do negócio da TVI. Sinto-me um bocadinho ambivalente: por um lado, não penso que haja ninguém neste país com mais de digamos 8 anos que acredite que Sócrates "desconhecia a compra da TVI pela PT", e desse ponto de vista isto é uma não-notícia. Por outro, é verdade que com a capacidade de se esquivar de que o nosso Primeiro-Ministro tem dado bastas provas, são poucas todas as oportunidades de o confrontar directamente com uma mentira.

12.11.09

Medidores

Voltei a instalar o sitemeter e o statcounter. O que é um blog, sem os outros blogs?

Tratado de saber viver para uso de jovens ladrões de peças de bicicleta

Podias pelo menos ter deixado um selim para a troca, não?

Viagens, literatura

Se é verdade, como diz Agustina, que por detrás de cada viagem se esconde uma intenção erótica, pode deduzir-se que toda a literatura de viagens é pornográfica?

Ama-me

"Ama-me! Ama-me!" Repetia tantas vezes a palavra, avenida abaixo, e tão alto, que ela se transformava em "Mama-me, mama-me". Foi assim que soube que tudo aquilo era fingido. Não há nenhum verdadeiro deprimido, ou amante repudiado, que seja capaz de transformar verosimilmente "amar" em "mamar".

Filosofia de bordel

Ontem encontrei-me com um anão na rua das Portas de Sto. Antão. Conhecia-o vagamente de um bordel no Cais do Sodré há nuitos anos. Era lá porteiro (ele; eu era cliente). Cumprimentei-o:
- Ora viva; como está? Há muito tempo que não o via.
- É verdade - respondeu. - Estou bem. Enfim, a tentar reconstituir um ego partido em mil bocados, coisa que ninguém esperaria num anão superficial como sempre fui. E você?
- Óptimo, obrigado. Curioso, porque nunca o vi superficial, e muito menos como tendo fragilidades no ego.
- É, elas estão onde menos se espera. Eu próprio também pensava que sendo superficial como sou, como tento denodadamente ser, não teria problemas desses. Mas olhe, tenho-os. E veja lá que não é nada fácil colar a porra dos bocadinhos de ego que por aí andam espalhados, como pólen sem abelhas.
- A quem o diz, meu caro Anão - (era assim que todos o chamavam, no bordel que ficava ao lado do Bar Hamburgo, de tão saudosa memória - o bar e o bordel, quero dizer). - Sei perfeitamente a dificuldade que é, mesmo para um tipo relativamente normal como eu. Agora imagino para um anão, por muito forte que seja.
- Anão o caralho, sua besta. Ponha-se a andar antes que eu lhe trinque a pila, seu animal.
- E ainda você acha que é superficial, senhor.
- Ora, escondi a superfície nas pregas do cu. Vá, ponha-se a andar, e depressa. Boa noite. Gostei muito de o ver, como sempre.
- Boa noite. Para mim também foi um prazer lembrar os bons velhos tempos da Tiqua e da Melá.
- Ah, a Melá, a Melá.
- Pois, se calhar ela seria uma boa cola para o seu ego fragmentado, não acha, Anão? - (Aqui tirei o meu caro, porque era isso que o chateava).
- Se calhar. Mas broche por broche sempre preferia os da Triz, que eram mais trabalhados, percebe o que eu quero dizer, não percebe?
- Ó se não percebo. Ai Triz, Triz, meretriz de sonho, culta como mais nenhuma, coita como mais ninguém. Bela Triz. Fazia cá uns jogos de palavras...
- De palavras não sei. De boca fazia-os, seu boche de merda. Era você que andava sempre com o Nietszche a tiracolo, não era?
- Sim, era. (Ele era ciumento, via-o agora).
- Pois fique sabendo que eu desde que deixei o bordel fiquei Rousseauiano.
- Rousseauiano? Rousseauiasno, quer você dizer.
- Irracionalista germanófilo!
- Naturalista!
- Venha daí beber uma jeropiga, que estamos em tempo delas.
- Vamos a isso.
- Sabe, agora agencio uma gaja que é materialista. Não acredita na separação entre o espírito e a carne. Tenho que lhe falar dela.

Ler Por Aí

Vai começar uma colaboração entre o site Ler Por Aí e o Don Vivo. Mantenham-se atentos (ma non troppo, por agora: a primeira manifestação será dia 28 de Janeiro).